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segunda-feira, 5 de abril de 2021

A LITERATURA DE CORDEL COMO RECURSO PEDAGÓGICO.


A simplicidade é uma marca forte da Literatura de Cordel: os relatos sobre eventos históricos, artísticos e folclóricos ganham destaque em versos destituídos de formalidade, para alcançar uma linguagem apropriada de interação com o povo sobre assuntos importantes e diversos.

A expressividade e emoção com que os cordelistas apresentam suas rimas encantam a todos e faz desse gênero literário um dos mais queridos e respeitados em solo brasileiro.

Para incentivar a leitura e estimular o interesse pela cultura, muitas escolas adotam a Literatura de Cordel como um recurso pedagógico, promovendo a participação dos alunos e o desenvolvimento criativo das produções de texto.

Neste artigo, vamos conhecer detalhes sobre a Literatura de Cordel, além dos autores que se inspiraram no gênero para apresentar sua arte e todos os benefícios à formação socioemocional do aluno.

A origem da Literatura de Cordel

No ápice do Renascimento em pleno século XVI, quando a arte clássica — grega e romana — se reinventou para apresentar um novo contexto de expressão e reprodução dos relatos orais dos trovadores, surgiram os primeiros passos para a popularização dos versos, desenhados sobre o papel ou superfície plana.

A literatura impressa em folhetos ou panfletos ganhou toda a Europa, sendo Portugal o responsável por introduzir no Brasil, desde o início da colonização, a Literatura em Cordel — que ganhou esse nome pelo fato de os portugueses venderem seus folhetos em feiras e praças, pendurados em cordéis.

O gênero teve maior expressão no interior do Nordeste e rendeu belas histórias nos relatos sobre a vida de Lampião e suas aventuras no cangaço. Toda forma de amor, lamento ou prece também   podiam servir de motivação para poetas inspirados e com talento nato para narrar as dores e as alegrias da vida pitoresca do sertão.

A Literatura de Cordel também é reconhecida como um gênero crítico e informativo. Ainda que de forma divertida e descompromissada, esses poetas itinerantes levavam ao povo das cidades, as notícias e reflexões que escreviam em versos e se responsabilizavam pela impressão, divulgação e venda dos próprios trabalhos. Com boa dose de humor e ironia, os cordelistas recitavam fatos históricos e políticos, e também os dramas da população a serem resolvidos com a astúcia dos personagens que criavam para protagonizar as narrativas.

Características marcantes

As particularidades do estilo literário resultaram em algumas características interessantes na concepção e abordagem dos temas, que são tradicionalmente trabalhados não apenas em versos, mas também na arte da xilogravura —o entalhamento dos desenhos em prancha de madeira para ilustrar cada história.

Com uma produção simples e impressão de baixo custo, o valor de venda dos cordéis nos mercados e feiras populares era acessível a um grande público. O cordel funcionou, portanto, como forma de disseminação de valores culturais regionais, promovendo o conhecimento popular e a sobrevivência de mitos, lendas e tradições folclóricas do nordeste brasileiro.

Os textos românticos eram compostos de narrativas descritivas de personagens, súplicas e preces das figuras principais, sempre girando em torno de uma problemática carecendo da capacidade de solução que só um protagonista esperto e inteligente pudesse oferecer.

Há sempre um casal com impedimentos de viver o grande amor pela proibição dos pais que, com poder sobre o destino dos filhos, promoviam noivados e casamentos arranjados pelos interesses financeiros e de posses.

O personagem principal ao final se tornava o herói vitorioso com o apoio, a aprovação e admiração de todos. Mesmo que o cenário não o favorecesse, com inteligência peculiar, tratava de reverter qualquer situação desfavorável à sua felicidade.

Principais autores

A Literatura de Cordel sempre teve grande apelo popular. Ainda hoje estimam-se mais de quatro mil cordelistas vivendo de suas composições, que versam sobre diferentes assuntos e acontecimentos. Elencamos alguns já bastante renomados por sua contribuição à arte:

  • Antônio Gonçalves da Silva (Patativa do Assaré)
  • Cuica de Santo Amaro;
  • Firmino Teixeira do Amaral;
  • Gonçalo Ferreira da Silva;
  • Guaipuan Vieira;
  • Homero do Rego Barros;
  • João de Cristo Rei.
  • João Martins de Athayde;
  • José Alves Sobrinho;
  • Leandro Gomes de Barros;
  • Manoel Monteiro;
  • Téo Azevedo.

Um dos personagens mais queridos da Literatura de Cordel é João Grilo — fictício nos contos populares em Portugal e também no Brasil, trata-se de um anti-herói, de aparência frágil e tola, mas com grande astúcia e capaz de se desvencilhar das mais complexas enrascadas.

Selecionamos um trecho do poema de João Martins de Athayde intitulado “As Proezas de João Grilo”, para apresentar o estilo de linguagem e as características do personagem.

João Grilo foi um cristão
Que nasceu antes do dia
Criou-se sem formosura
Mas tinha sabedoria
E morreu depois das horas
Pelas artes que fazia.

[…]

João Grilo chegou na corte
Cumprimentou o sultão
Disse: pronto, senhor Rei
(deu-lhe um aperto de mão)

Com calma e maneira doce
O sultão admirou-se
Da sua disposição.

Formas de utilização da Literatura de Cordel 


 A didática tradicional, acusada de falta de interatividade e conexão pedagógica, pode se servir da simplicidade dos versos em cordel para aproximar os alunos de alguns temas.

Encontrar o tom da participação do aluno  é fundamental para que o professor consiga desenvolver a capacidade de absorção com reflexos satisfatórios no comportamento, aproveitamento e resultados.

Ao levar os princípios da Literatura de Cordel para o ambiente escolar, qualquer conteúdo poderá ser assimilado e descrito em versos pelos próprios alunos. O ritmo cadenciado, as métricas e as rimas do texto não apenas instigam a capacidade de criação como favorecem e memorização. Além disso, a leitura de cordéis já consagrados ajudam a resgatar a memória de fatos históricos que não se devem perder no tempo.

Pode-se inicialmente introduzir a abordagem do gênero literário em disciplinas como Português, Literatura e Produção Textual, ampliando o conhecimento de mundo, o repertório cultural, a empatia e a criatividade textual. Posteriormente, é possível aplicá-lo às demais disciplinas (História, Geografia, Ciências), de forma a servir-se do estilo para o desenvolvimento e a assimilação de conteúdos.

Para além do trabalho desenvolvido em sala de aula, é possível ainda promover eventos com apresentações culturais — teatro, dança, música, poesia — tendo como pano de fundo a Literatura de Cordel, oportuniza a participação da família para acompanhar o desempenho escolar dos seus filhos ao mesmo tempo em que fortalece os vínculos e aprendizados mútuos.

Benefícios para o aluno

A Literatura de Cordel tem base na oralidade, e lançar o desafio para os alunos pode ajudar a desenvolver a inteligência, o senso crítico, a capacidade de oratória e a organização das ideias.

Ao falar de amor, de enfrentamentos e desafios, cada aluno terá a oportunidade de se conectar com as emoções e desempenhar um papel diferente do qual está acostumado, percebendo as variações da existência humana e como é possível adaptar-se para ser bem-sucedido.

Por fim, a Literatura de Cordel, quando aplicada em sala de aula, pode restabelecer o contato com elementos populares de grande relevância para a formação cultural e histórica do país. Personagens, fatos e valores esquecidos com o passar do tempo, podem ser facilmente recuperados com o auxílio do cordel. Temas que poderiam passar despercebidos pela ausência de estudo e estímulo, podem vir a ser valorizados e recitados em voz alta pelos jovens.

Cordel da Informação

O que devo fazer se alguém que mora comigo apresentar sintomas da #COVID19?

ASSISTA A ESSE CORDEL PUBLICADO PELA ONU:

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

"MORTE E VIDA SEVERINA" em desenho animado, baseado na obra prima homônima de João Cabral de Melo Neto



“Antes de sair de casa
aprendi a ladainha
das vilas que vou passar
na minha longa descida.
Sei que há muitas vilas grandes,
cidades que elas são ditas;
sei que há simples arruados,
sei que há vilas pequeninas,
todas formando um rosário
cujas contas fossem vilas,
todas formando um rosário
de que a estrada fosse a linha.
Devo rezar tal rosário
até o mar onde termina,
saltando de conta em conta,
passando de vila em vila.”

                                 
                                         João Cabral de Melo Neto, trecho “Morte e Vida Severina”. (1967)

Morte e Vida Severina em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.

Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor.


Assista aqui:


Filme: Morte e Vida Severina em Desenho Animado (Original)
Sinopse: Morte e Vida Severina mostra a saga de um retirante nordestino que, como tantos brasileiros, viaja do sertão ao litoral em busca de melhores condições de vida. A história de Severino, contada por meio de versos na obra-prima de João Cabral de Melo Neto, foi adaptada para os quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão e é retratada nesta animação 3D. O desenho animado preserva o texto original e, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, dá vida aos personagens do auto de natal pernambucano que foi publicado em 1956.

Ficha técnica
Ano de produção: 2010
Duração: 52 min.
País: Brasil
Direção: Afonso Serpa
Ilustrações/HQ: Miguel Falcão
Adaptação: obra homônima de João Cabral
Voz: Gero Camilo
Trilha sonora: Lucas Santtana
Produção: TV Escola / OZI / FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco
Público-alvo: Aluno
Faixa etária: 16-18
Área temática: Diversidade Cultural, Geografia, Literatura

Morte e Vida Severina (em desenho animado)

“…E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.”
– João Cabral de Melo Neto, trecho “Morte e Vida Severina”. (1967)

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

10 curtas-metragens para educar as crianças e adolescentes sobre VALORES

 

Os curtas-metragens de animação para o público infantojuvenil vão além da função de entretenimento. Eles demonstram que é possível contar histórias sobre o mundo real, tratar de temas complexos e relevantes através de uma abordagem lúdica e inusitada.

Educar integralmente significa a desenvolver atitude crítica e valores morais, para que as crianças possam identificar a diferença entre certo e errado e, então, construir uma personalidade saudável.

O Monge e o Cão

O curta é um grande exemplo de como sempre podemos mudar nossas atitudes para viver melhor. Intitulado “The Wrong Monk”, criado por Tom Long como um projeto final de sua especialização em animação 3D na Southampton Solent University.

Ele conta a história de um monge eremita que vive só, mas que um dia é surpreendido por uma visita inesperada, enquanto fazia seus exercícios diários. A história se desenrola a partir daí e nos traz uma poderosa mensagem sobre como nossas vidas mudam quando escolhemos agir corretamente e aproveitarmos o tempo de nossas vidas sendo realmente felizes.

Título original: The Wrong Monk
Direção e roteiro: Tom Long
Gênero: Animação / Aventura / Família
Lançamento: 2009
Duração: 3:20 minutos

Historias da unha do dedão do pé do fim do mundo

É com delicadeza e criatividade que Evandro Salles e Márcia Roth dirigem a animação Histórias da unha do dedão do pé do fim do mundo, baseada em poemas de Manoel de Barros.
Num diálogo lúdico entre textos de Barros e desenhos de Salles, a animação vai construindo imagens e sentidos inusitados e poéticos por meio da brincadeira com coisas e palavras.

Título original: Historias da unha do dedão do pé do fim do mundo
Direção e roteiro: Evandro Salles e Márcia Roth
Gênero: Animação / Família
Lançamento: 2007
Duração: 8 minutos

Calango!

O curta metragem Calango! foi uma produção dirigida por Alê Camargo, e realizada com a participação de jovens. A história retrata a perseguição de um pequeno calango faminto, atrás de um grilo… mas as coisas não serão tão simples quanto ele imagina. Ação, humor e uma perseguição desenfreada numa animação 3D bem brasileira. A aventura acontece no rítimo do choro “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo.

Título original: Calango!
Direção: Alê Camargo
Roteiro: Alê Camargo, Alessandra Mota, Alexandre Souza, Anderson Lopes e Dalmo Pereira
Gênero: Animação / Drama / Família
Lançamento: 2007
Duração: 7:41 minutos

Guilhermina & candelario: a historia da feiticeira

Avó Francisca conta história repleta de emoção ao redor da fogueira. Guilhermina e Candelário compartilham com seus avós e amigos uma divertida noite de fogueira. A coruja Pepita também participa da confraternização.

A voz da avó Francisca levará a todos a uma viagem imaginária aos confins do bosque, através de um relato cheio de emoção, música e suspense, em que as dificuldades de Candelário e Ismael despertarão na comunidade um profundo sentimento de solidariedade.

Título original: Guilhermina & candelario: a historia da feiticeira
Direção e roteiro: Maritza Rincón González
Gênero: Animação / Aventura / Família
Lançamento: 2015
Duração: 12 minutos
*Ver outros episódios da série no canal oficial. AQUI!

Caminho dos Gigantes | Way of Giants

“Caminho dos Gigantes” é um curta-metragem de Alois Di Leo e Sinlogo Animation. O filme é uma busca poética pela razão e propósito da vida, que conta a história de Oquirá, uma menina indígena de seis anos, que enfrenta o ciclo da vida e o conceito de destino. O filme explora as forças da natureza e a nossa conexão com a terra e os seus elementos.

A música tem um papel importante na história. O mestre de música andina, Tito La Rosa, foi trazido do Peru até São Paulo para compor e tocar a música, utilizando instrumentos musicais andinos e incas – muitos dos quais ele e o seu filho confeccionaram manualmente, seguindo tradições andinas.

Título original: “Way of Giants“ | “Caminho dos Gigantes”
Direção e roteiro: Alois Di Leo
Animação: Henrique Lobato e Tiago Rovida
Gênero: Animação / Aventura / Família
Lançamento: 2016
Duração: 11:52 minutos

Vida fácil

Vida Fácil é uma produção da Ringling College of Art and Design, uma faculdade dos Estados Unidos especializada em arte e design. Dirigida por Jiaqi Xiong, é um convite a reflexão sobre valores como responsabilidade e comprometimento com nossas obrigações.

A trama conta a história de uma menina que preferia brincar ao invés de fazer as lições de casa. Nesse mundo de fantasia, sua boneca ganha vida e começa a fazer as liçōes da escola em seu lugar. Porém, depois de um tempo os papéis se invertem.

O curta é indicado para trabalhar com os pequenos sobre responsabilidade e mentiras. Ele também traz observações sobre a importância do esforço e das conquistas por mérito próprio.

Título original: The Easy Life
Direção e roteiro: Jiaqi Xiong
Gênero: Animação / Drama / Família
Lançamento: 2015
Duração: 2:21 minutos

Destino

Com direção de Fabien Weibel, o curta Destiny apresenta uma reflexão metafórica sobre a correria do mundo moderno, em que deixamos de ‘nos enxergar’ enquanto o autoconhecimento dá lugar a movimento robôticos e propósitos pouco aprofundados. A importância da pausa, mais uma vez, aparece como ponto nítido.

Título original: Destiny
Direção e roteiro: Fabien Weibel
Gênero: Animação / Drama / Família
Lançamento: 2012
Duração: 5:25 minutos

Frankenstein Punk

O curta metragem de Cao Hamburger e Eliane Fonseca (1986) é uma ótima oportunidade para discutir gêneros do cinema, preconceitos e conflitos culturais. Frank – o protagonista da história – é uma criatura diferente, nascida ao som da música “Singing in the rain” (Arthur Freed e Nacio Herb Brown). Certo dia, ele decide partir em busca da sua felicidade. Os estudantes podem ainda conhecer a técnica de stop motion e seu uso em filmes de animação. “Frankenstein Punk” tem 12 minutos e foi o grande premiado do Festival de Gramado de 1986.

Título original: Frankenstein Punk
Direção e roteiro: Cao Hamburguer e Eliana Fonseca
Gênero: Animação / Drama / Família
Lançamento: 1986
Duração: 12 minutos

Zimbú

Uma bola de futebol aparece em uma tribo africana, isolada do mundo. Ela chega até os pés de um guerreiro africano, que descobre a magia do futebol.

Título original: Zimbú
Direção e roteiro: Marcos Strassburger Souza
Gênero: Animação / Aventura / Família
Lançamento: 2012
Duração: 3 minutos

Alcançar

O curta animado de Ahmed Elmatarawi é uma mistura entre entretenimento e observações sobre temas como solidariedade e compartilhamento.

O roteiro traz o personagem perdido no imenso deserto a procura de água. Ele está quase sem forças quando encontra o tesouro que tanto precisa. Além disso, o curta traz um final surpreendente.

A trama dá margem para uma conversa sobre egoísmo e pensamento coletivo.

Título original: Reach (Alcanzar)
Direção e roteiro: Ahmed Elmatarwi
Gênero: Animação / Drama / Família
Lançamento: 2016
Duração: 3:52 minutos

Felicidade

O curta Happiness (2017), criado pelo ilustrador e especialista em animação Steve Cutts, provoca reflexão sobre busca da felicidade constante em um contexto social e econômico que favorece justamente o oposto. As metáforas vão ainda mais a fundo e criticam, por exemplo, a falta de respeito ao próximo – que, sem que se perceba literalmente no cotidiano, gera a falta de amor-próprio.

Título original: Hapiness
Direção e roteiro: Steve Cutts
Gênero: Animação / Drama / Família
Lançamento: 2017
Duração: 4:40 minutos

Parcialmente nublado

Uma pequena joia das animações. Parcialmente Nublado encanta a todo o instante. Provavelmente um dos melhores curta-metragens que a Pixar já produziu, “Partly Cloud” tem como principal mérito fazer uso de cores alegres e belas sob uma história que já é, por si só, linda.

As cegonhas são encarregadas de levar os bebês para suas respectivas famílias, mas onde elas buscam os recém nascidos? A resposta está na estratosfera, onde as nuvens trabalham esculpindo crianças. Gus (voz de Tony Fucile), é uma nuvem cinzenta e insegura, mestre em criar bebês mal criados. Além disso, ele gera crocodilos, porcos-espinhos, carneiros e muito mais. Suas criações são obras de arte, entregues pelo seu fiel parceiro Peck (voz de Tony Fucile), uma cegonha. Mas as criações de Gus estão ficando cada vez mais indisciplinadas. Como Peck irá conseguir lidar com seu trabalho?

Título original: Partly Cloudy
Direção e roteiro: Peter Sohn
Gênero: Animação / Drama / Família
Lançamento: 2009
Duração: 5:32 minutos

Extra

Walt Disney & Salvador Dali – Destino

“Escondido nos Arquivos dos Estúdios Disney, estava um projeto de um curta com a arte de Walter Elias Disney com Salvador Dalí.”

A música “Destino” do compositor Armando Dominguez serviu como base para a criação do curta-metragem animado que uniu duas figuras emblemáticas dos anos 40: o pintor surrealista Salvador Dalí e o animador americano Walt Disney.

Convidado por Disney, Dalí iniciou o projeto que durou nove meses com o animador John Hench. A produção do desenho animado começou em 1945, mas só foi finalizada 58 anos depois, em 2003, devido a uma crise sofrida pelos Estúdios Disney e desencadeada pela Segunda Guerra Mundial. O projeto foi interrompido com apenas 17 segundo finalizados e ficou a cargo de Roy Disney, sobrinho de Walt Disney, a finalização do curta em 2003.

A canção-tema interpretada por Dora Luz, os rascunhos deixados no início do projeto e 15 famosas telas de Dalí foram utilizadas para a finalização da animação. A obra é de tamanha intensidade que podemos ver os traços orgânicos de Dalí se unirem às técnicas de animação de Disney. O resultado é um belíssimo curta-metragem de animação mostrando a história de amor entre Chronos e uma mortal

Fonte: © obvious

“O mais difícil, mesmo, é a arte de desler.”
– Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.

Estas são nossas dicas super valiosas de curta-metragens animação que vale conferir!

Referências biobibliográficas sobre o uso de curtas-metragens em sala de aula:

VENTURINI, Aline Dal Bem. Curtas-metragens como ferramente tecnológica na educação inclusiva. Revista Educação, Arte e Inclusão, vol. 14, nº 2, abril/junho, 2019.

‘OS FANTÁSTICOS LIVROS VOADORES DO SR. MORRIS LESSMORE’, vencedor do Oscar de melhor curta animação

 

'Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore', vencedor do Oscar de melhor curta animação

Uma vida sem leitura é sem graça, sem cor. Sem leitores, um livro não tem vida, serventia. Livros são eternos, e a contribuição cultural de seus autores é capaz de eternizá-los no universo literário. E é levando ao pé da letra ideias como essas que o vencedor do Oscar de Melhor Curta de Animação em 2012, The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore, em tradução livre), constrói sua homenagem à literatura.

Dirigido por Brandon Oldenburg e William Joyce e escrito por este último, o curta tem início com uma tempestade que arrasta o Sr. Morris Lessmore e sua casa para uma outra dimensão, devasta sua biblioteca e varre as páginas de sua mais recente obra. Frustrado, Lessmore encontra uma casa habitada por livros voadores e redescobre a beleza da leitura.

Mais que isso, Lessmore se torna um mentor para novos leitores, recolorindo um mundo monocromático com o encantamento despertado pela leitura, além de guardião e cuidador da biblioteca, chegando até mesmo a executar uma delicada intervenção cirúrgica para reabilitar um livro caindo aos pedaços. Para completar, o curta (com personagens animados digitalmente em cenários reais, construídos em miniatura) também faz sua homenagem à própria técnica de animação, através da expressividade alcançada através do folheamento do melhor amigo de Morris, um livro sobre Humpty Dumpty. Trata-se da Literatura em ótima sintonia com o Cinema.

“Não penso em morte do livro, mas em evolução. Ao passo que o livro ilustrado se adapta às novas tecnologias, sinto que é importante reforçar a ideia que, apenas dos lampejos que os aplicativos possam trazer, sempre haverá necessidade e espaço para os prazeres únicos da página impressa.”
– William Joyce, em entrevista a Folha Ilustrada. 8.1.2013

Assista aqui:
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, EUA, 2011 | Escrito por William Joyce | Dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg.

Título original: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
Direção: William Joyce / Brandon Oldenburg
Roteiro: William Joyce
Gênero: Animação / Aventura / Drama
Origem: Estados Unidos
Ano de produção: 2011
Duração: 15 Minutos
Sinopse: Vencedor do Oscar de melhor curta animado de 2012, The Fantastic Flying Books é uma animação adorável, que mostra o poder dos livros sobre nós, e como podem nos mostrar novos mundos, caminhos e direções além daquelas a que estamos acostumados ou treinados a seguir. A história cerca a destruição provocada pelo furacão Katrina, o gigante que arrasou áreas inteiras do sul da Flórida, Nova Orleans, Alabama, Mississipi e Louisiana em agosto de 2005. Mas os diretores William Joyce e Brandon Oldenburg não deram voz à tragédia, antes, procuraram lançar sobre ela a luz encontrada na literatura. Com referências ao furacão de O Mágico de Oz, o Mr. Morris Lessmore do título é arrastado para um mundo onde os livros são vivos, e cada um deles oferece uma viagem à parte para o leitor navegar em suas páginas. A fantasia encontra a paixão pela leitura. Mr. Morris Lessmore, uma representação de Buster Keaton, passa a viver nesse mundo dos livros vivos, e a destruição ao seu redor ganha cor, passa a ser um viés não tão essencial quanto a viagem maravilhosa que a literatura lhe proporciona, inclusive através do prazer de escrever.

O livro:
JOYCE, Willian. ‘Os Fantásticos Livros Voadores de Modesto Máximo’. [tradução Elvira Vigna]. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2012.
A entrevista de William Joyce:

:: William Joyce de “A Origem dos Guardiões” fala sobre seu amor ao universo do livro (entrevista a Cassiano Elek Machado/FSP, em 8.1.2013). Disponível no link. (acessado em 16.8.2017).

Fontes: Cinema sem erros | Folha ilustrada | Editora Rocco

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

PROJETO REMOTO: "ERA UMA VEZ...ll"

 Vivendo o atual cenário de ENSINO REMOTO, a BIBLIOTECA JOSÉ DE ANCHIETA e a ESCOLA E. PREFEITO CLEMENTE E. FERRAZ  apresenta em reverência à SEMANA NACIONAL DA BIBLIOTECA E DIA NACIONAL DO LIVRO, o projeto de leitura "ERA UMA VEZ...II" - Quem disse que precisa estar perto para estar junto? e você é nosso convidado especial, com quem compartilharemos uma noite de encanto onde a realidade e o sonho se misturam! DIA 06 DE NOVEMBRO estaremos juntinhos através do CANAL MÚSICA BOA BAILE no YOUTUBE

É A ESCOLA CLEMENTE SEMPRE COM VOCÊ E POR VOCÊ!


segunda-feira, 28 de setembro de 2020

RECONTO: CHAPEUZINHO DE TODAS AS CORES

 O Projeto de Leitura Remoto- ERA UMA VEZ...II: " Quem disse que precisa estar perto para estar junto"? tem como proposta de concurso de produção de texto o RECONTO dos contos clássicos da Literatura Infanto-juvenil numa versão atualizada, com a cara do século XXI.

A atividade busca explorar a criatividade do aluno, assim como sua capacidade de organização lógica-temporal, sua visão de mundo e até seus sentimentos.

O Blog Biblioteca José de Anchieta preparou para você uma série baseada no famoso conto clássico CHAPEUZINHO VERMELHO, composta por episódios bem interessantes que abordam temáticas pertinentes ao universo das nossas crianças e jovens.

A cada episódio, Chapeuzinho enfrenta um desafio. O desafio se materializa em um Lobo que tenta desencorajá-la. Mas ela é uma menina corajosa. Ela sempre enfrenta seus desafios sozinha e descobre que cada história tem seu lado positivo. Quando Chapeuzinho supera o desafio, o Lobo é derrotado.

A série é uma adaptação do trabalho literário Chapeuzinho Amarelo, escrito por Chico Buarque e ilustrado por Ziraldo.

ASSISTA ao episódio abaixo e deixe nos comentários da nossa página o que você achou da versão apresentada e aguarde novos episódios nos próximos dias!


O Primeiro Dia de Aula

Chapeuzinho coloca o chapéu branco e vai jogar bola no quintal. Ela lembra que a escola começará em poucos dias e isso desperta a sombra do lobo nela, que se disfarça como sua vizinha, e a ameaça com os novos problemas que se aproximam da menina. Em sua mente, a situação do primeiro dia de escola cresce dentro dela.

Perder um amigo 

Chapeuzinho usa o chapéu cinza e vai para a escola. Na escola, ela fala com um amigo, que lhe diz que está se mudando para outra cidade. Isso desperta a sombra do Lobo nela, que se disfarça como colega de classe que perdeu todos os seus amigos. Em sua mente, a situação de perder seu amigo cresce dentro dela.

Se Perder

Chapeuzinho vai com a mãe ao supermercado. Elas estão na sessão de verduras, e Chapeuzinho sai de perto do carrinho para pegar algo, mas quando olha para a sessão de verduras, não vê a mãe. Sozinha, ela passa a procurar a mãe, delirando com o medo de se perder. O lobo, fantasiado de menininho, diz para ela que ele se perdeu quando era criança e que agora vive ali.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

CINDERELA- "A GATA BORRALHEIRA"

  A história da Cinderela, também conhecida como Gata Borralheira, é um conto de fadas extremamente popular. Podemos mesmo afirmar que esta narrativa é uma das mais famosas  e até que ela tem influenciado a forma romântica como vemos o mundo.

Trata-se de uma história de amor à primeira vista, que também de temas complexos como a negligência e o abuso familiar. Apesar de todos os obstáculos, Cinderela continua sonhando e encontra a felicidade no final.

O conto de fadas ilustra o poder salvífico do amor e transmite as ideias de fé e esperança, lembrando que nossas vidas podem mudar num passe de mágica.

Assim como outros contos de fadas, a história da Cinderela tem centenas de versões diferentes e parece ter sido influenciada por várias narrativas de origens diversas.

Uma das primeiras variantes da história surgiu na China, em 860 a.C. Depois, na Grécia Antiga, Strabo (63 a.C. - 24 d.C.) escreveu sobre uma escrava forçada a casar com o rei do Egito. Essa personagem também parece ser uma versão inicial da "Gata Borralheira".

Já no século XVII, na Itália, existia um conto popular semelhante que parece ter inspirado a versão publicada por Giambattista Basile em 1634.

Algumas décadas depois, o francês Charles Perrault, apontado como o "pai da literatura infantil", escreveu a variante que se tornou mais conhecida entre o público.

Já no século XIX, os incomparáveis irmãos Grimm, verdadeiras autoridades em matéria de contos de fadas, também escreveram a sua versão. Bem mais sombria, nesta história não existia a presença mágica da Fada.

Ao longo do tempo, a história de Cinderela continuou sendo contada de várias maneiras. Em alguns registros, por exemplo, não é uma Fada que surge mas o espírito da mãe da garota que desce dos céus para auxiliá-la.

A tela dos cinemas tem sido a maior responsável pela divulgação da história, contando com várias adaptações. Entre elas, precisamos destacar (obviamente) as representações da Disney.Em 1950, a companhia lançou o filme de animação com o sapatinho de cristal mais famoso da História, que fez parte das nossas infâncias e continua encantando crianças de todas as idades.

CINDERELA

Cinderela era filha de um comerciante rico, porém quando seu pai morreu, a madrasta malvada e as duas filhas fizeram Cinderela de criada. Um dia houve um baile, mas Cinderela não poderia ir pois tinha de limpar a casa e não tinha um vestido bonito para usar na festa. Sua fada madrinha apareceu e limpou toda a casa num piscar de olhos e deu um vestido lindo para Cinderela, porém, ele só duraria até meia noite. O príncipe se apaixonou por Cinderela e, na volta para casa, ela deixou cair na escada seu sapatinho de cristal. Querendo encontrá-la, o príncipe ordenou que todas as moças do reino experimentassem o sapato. Cinderela experimentou e o sapato serviu. A jovem e o príncipe se casaram e viveram felizes para sempre.

domingo, 23 de agosto de 2020

CONTO e RECONTO...

A contação de histórias é uma ferramenta importante para a formação das crianças e, acredite, de jovens também! As histórias são uma forma significativa que a humanidade encontrou de narrar suas aventuras e experiências, elas abrem portas para o novo e o desconhecido. Além disso, são uma excelente forma de entreter e ensinar.

Assista ao vídeo em que a escritora Ana Luísa Lacombe lê a “A Árvore de Tamoromu”, um reconto do mito do povo indígena Wapixana. Com uma interpretação maravilhosa, Ana nos conta a história de uma pequena cotia muito engraçada que encontra, no meio da floresta, uma grande árvore que dá todo tipo de fruta e legume.

O livro, onde Ana reescreve o mito com suas palavras, foi publicado pelo selo Formato, e as ilustrações são do artista plástico e escritor Fernando Vilela. A orelha do livro e a quarta capa foram escritos por Fanny Abramovich, renomada pedagoga e escritora de livros infantojuvenis com mais de 40 títulos publicados.

Ana Luísa Lacombe é atriz premiada, escritora e ministra palestras sobre a arte de contar histórias. Seu livro “A Árvore de Tamoromu” ganhou o prêmio de melhor reconto pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ e faz parte do acervo da maior biblioteca de literatura infantil e juvenil do mundo, localizada na Alemanha.

terça-feira, 21 de julho de 2020

O REI SÁBIO E A PINTURA PERFEITA DA PAZ

Sabemos sobre a importância das histórias para fazer com que gravemos e também possamos transferir os nossos conhecimentos. A seguir apresentamos um conto de valor universal! Um rei sábio abriu um concurso para escolher o que seria a pintura da "perfeita paz".
“Era uma vez um rei, e o rei ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar numa pintura a paz perfeita.

Foram muitos os artistas que tentaram. O rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou e decidiu que iria escolher entre ambas. 


A primeira era um lago muito tranquilo. Este lago era um espelho perfeito onde se refletiam umas plácidas montanhas que o rodeavam.
Sobre elas encontrava-se um céu muito azul com tênues nuvens brancas.
Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela refletia a paz perfeita.

A segunda pintura também tinha montanhas. Mas estas eram escabrosas e estavam despidas de vegetação. Sobre elas havia um céu tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com faíscas e trovões. Montanha abaixo parecia retumbar uma espumosa torrente de água. Tudo isto se revelava nada pacífico.

Mas, quando o rei observou mais atentamente, reparou que atrás da cascata havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Neste arbusto encontrava-se um ninho. Ali, no meio do ruído da violenta camada de água, estava um passarinho placidamente sentado no seu ninho.

Paz perfeita!

O rei escolheu a segunda e explicou:

“Paz não significa estar num lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo ou sem dor. Paz significa que, apesar de se estar no meio de tudo isso, permanecemos calmos no nosso coração”.

Este é o verdadeiro significado da paz.”