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sexta-feira, 9 de abril de 2021

BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL disponibiliza 15.508 itens sobre 193 países entre 8000 a.C e 2000 d.C


São 15.508 itens sobre 193 países entre 8000 a.C e 2000 d.C.

A Biblioteca Digital Mundial, a maior ferramenta de cultura do planeta. Essa mega enciclopédia do conhecimento humano funciona em sete línguas – árabe, chinês, espanhol, francês, inglês, português e russo – e também possui conteúdos em várias outras línguas. As características dos seus mecanismos de busca foram pensadas para facilitar ao máximo as pesquisas interculturais através das diferentes épocas. Todos os milhares de temas oferecidos são acompanhados de descrições e alguns são apresentados em vídeos por bibliotecários e professores especializados, a fim de que os usuários possam situar o seu contexto. Tais ferramentas e técnicas pretendem despertar a curiosidade dos estudantes e do público em geral, com o objetivo de estimular o conhecimento do patrimônio cultural de todos os povos e países.

Concebido e preparado por uma equipe da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, o site da Biblioteca Digital Mundial da Unesco contou com a participação e a colaboração ativas da Biblioteca Alexandrina do Egito e da Fundação Biblioteca Nacional brasileira, além de outras bibliotecas nacionais e instituições culturais de dezenas de outros países.

Entre os tesouros culturais apresentados na Biblioteca Digital Mundial, estão as imagens de estelas e ossos para oráculos pertencentes à Biblioteca Nacional da China; manuscritos científicos árabes; fotografias antigas do Brasil e da América Latina; o Hyakumanto darani, uma publicação do ano 764 custodiada na Biblioteca Nacional do Japão; a famosa Bíblia do Diabo, do século 13, pertencente à Biblioteca Nacional da Suécia; obras caligráficas em árabe, persa e turco, provenientes da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Nela pode-se também encontrar a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século 16 considerado a primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das “Fábulas” de La Fontaine, o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A.C.

O site permite ao internauta orientar sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar diretamente pela web, sem necessidade de se registrarem. Com um simples clique, podem-se passar as páginas de um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cômoda e minuciosa.

Alguns itens presentes na Biblioteca:

A maldição de Ártemis – Fragmento

A maldição de Ártemis – Fragmento
Descrição: Esta antiga maldição é um dos mais antigos documentos gregos em papiro do Egito. Com data do século IV a.C., é originário da comunidade de gregos jônicos estabelecida em Mênfis, no Baixo Egito. A cultura grega passou a ser dominante em Mênfis, especialmente depois de 332 a.C., quando Alexandre, o Grande foi coroado faraó no templo do deus Ptah. No documento, Ártemis, de quem quase nada se sabe, apela para o deus greco-egípcio Seráfis punir o pai de sua filha por privar a criança dos ritos funerários e negar-lhe um enterro. Seráfis foi identificado com o touro mumificado Ápis, considerado uma manifestação de Ptah, e com o deus egípcio Osíris. Por vingança, Ártemis exige que o homem – cujo nome não é mencionado no texto – seja privado de ritos funerários semelhantes para seus pais e ele próprio. Suas palavras drásticas são um exemplo notável da grande importância da tradição dos ritos funerários gregos e egípcios. O papiro pertence à coleção de papiros da Biblioteca Nacional Austríaca, que foi montada no século XIX pelo arquiduque Rainer. Em 1899 a coleção foi doada ao imperador Franz Joseph I, que a tornou parte da coleção da Hofbibliothek (Biblioteca Imperial), de Viena. Uma das maiores coleções do gênero no mundo, a Coleção de Papiros (Coleção Erzherzog Rainer) foi inscrita no Registro da Memória do Mundo da UNESCO em 2001.

Ventos das Quatro Direções

Ventos das quatro direções
Descrição: Este oráculo feito de osso por volta de 1.200 B.C. contém 24 caracteres em quatro grupos em um estilo vigoroso e forte, típico do grupo Bin de adivinhadores no reino de Wu Ding (circa 1200-1889 B.C.). Grava os deuses das quatro direções e dos quatro ventos. Os ventos das quatro direções refletem os equinócios da primavera e outono, os solstícios do verão e inverno, e as mudanças das quatro estações. Os quatro ventos são o vento leste, chamado Xie; o vento sul, chamado Wei, o vento oeste, chamado Yi (segundo tom em Mandarim); e o vento do norte, chamado Yi (primeiro tom em Mandarim). Constituem o sistema padrão sazonal independente concebido pelo povo Yin, e serviu como base importante para o calendário e a determinação de meses intercalados. Este item é da coleção de 35,651 exemplares de plastrões e ossos da Biblioteca Nacional da China, que constitui um quarto de todos os ossos de oráculos descobertos até à data, e considerada a melhor coleção na China.

Pintura em Pedra S00176, Belém, Município do Distrito de Dihlabeng, Estado Livre, África do Sul

Pintura em Pedra S00176, Belém, Município do Distrito de Dihlabeng, Estado Livre, África do Sul
Esta pintura rupestre San representa um antílope cor de ameixa- avermelhada, de cabeça para baixo, com um sangramento no focinho e, no canto superior esquerdo, um antílope menor, pintado em amarelo, também sangrando pelo focinho. Tanto a postura de cabeça para baixo quanto as emanações nasais indicam morte. Para os San, esta morte era tanto literal quanto metafórica. Metaforicamente, a morte envolvia a passagem de um feiticeiro para o Mundo Espiritual que se acreditava existir por detrás da superfície rochosa. A pintura é do Estado Livre da África do Sul oriental, que é conhecida por suas representações de antílopes de cabeça para baixo em uma variedade de contextos incomuns. A imagem da pintura faz parte da Coleção de Arte Rupestre de Woodhouse, do Departamento de Serviços Biblioteconômicos da Universidade de Pretória. A coleção inclui mais de 23.000 slides, mapas e esboços provenientes de inúmeros locais de arte rupestre na África do Sul. Os San são povos caçadores-coletores que viveram ao longo de toda a África Austral e Oriental durante milhares de anos antes de serem expulsos por tribos africanas e colonos europeus. Os povos San continuam a viver no Deserto de Kalahari, na parte em que este cobre a Namíbia.

Povos de várias Nações

Povos de várias Nações
Durante os quase dois séculos de contato externo restrito durante o período Edo (1600-1868), os japoneses ainda mantinham uma curiosidade sobre as culturas estrangeiras. Este mapa, publicado no início do século XIX, mostra um enorme arquipélago representando o Japão no centro do mundo. Estão presentes no mapa inserções de imagens e descrições de pessoas estrangeiras, a distância entre o Japão e suas terras, e as diferenças climáticas. Os locais indicados incluem o “País Pigmeu, 14.000 ri” (1 ri = 2,4 milhas), “País da Mulher, 14.000 ri”, e “País do povo negro, 75.000 ri.” No parte inferior direita, a América é dita ser povoada por “pessoas que são mais altas que em nosso país, brancas e lindas … quanto mais ao sul você vai, as pessoas tornam-se maiores; no extremo sul da América do Sul está Chiika-koku (país de pessoas altas).” As descrições dão a noção de conhecimento geográfico limitado e as representações estereotipadas dos estrangeiros no Japão nesse período.

Mapa do Brasil, por John Rapkin (1851)

Brasil
Descrição: Este mapa do Brasil é um mapa de Tallis, identificável pelo estilo pergaminho nas bordas e pelas cenas ricamente ilustradas nele inscritas. John Tallis e Cia. era uma empresa britânica de cartografia que funcionou entre cerca de 1835 a 1860. O mapa foi elaborado e gravado pelo cartógrafo John Rapkin. Os mapas de Tallis eram conhecidos por seus desenhos precisos e numerosos topônimos e detalhes geográficos, bem como pela utilização de áreas sombreadas para indicar características topográficas. A beleza artesanal do mapa pode ser vista nas ilustrações coloridas dos quatro cantos que mostram “Barcos no Rio Negro” (canto superior esquerdo), “Santa Catarina” (canto superior direito), “Montevidéu” e “Cabo de Santo Antonio, Bahia” (abaixo, à esquerda), e “Rio de Janeiro” (abaixo, à direita).

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

FÁBULAS extraordinárias de ESOPO: divertem e educam crianças e adultos

fabulas-de-esopo

“Acho que deveríamos colocar Esopo entre os grandes sábios de que a Grécia se orgulha, ele que ensinava a verdadeira sabedoria, e que a ensinava com muito mais arte que os que usam regras e definições.”
– LA FONTAINE

Acredita-se que, antigamente, uma pessoa chamada Esopo escreveu centenas de fábulas que são muito conhecidas até hoje. Estudiosos da Antiguidade afirmavam que Esopo viveu no reino da Trácia, no nordeste da Grécia, no século VI a.C. Agora se sabe que muitas dessas histórias são ainda mais antigas e que Esopo talvez nunca tenha existido.

As fábulas de Esopo provavelmente faziam parte da tradição oral — ou seja, eram histórias contadas em voz alta. Há cerca de 2 mil anos, o escritor romano Fedro pôs algumas delas por escrito. Mais tarde, as histórias foram traduzidas para outras línguas. Em português, existe um manuscrito do século XV, chamado Fabulário português medieval, ou O livro de Esopo, que contém várias dessas fábulas e foi publicado em forma de livro no início do século XX. A mais antiga versão conhecida em inglês foi publicada em 1692. Ao longo dos séculos, elas sempre foram bastante populares na Europa e no Brasil.

A maior parte das fábulas apresenta animais com características humanas e termina com uma moral, um ensinamento ou lição que a própria história pretende demonstrar.

Conheça essas Fábulas que divertem e educam crianças e adultos:

ESOPO NUM ESTALEIRO
Esopo, por Diego Velázquez – 1639-41 (Museo del Prado)

Esopo, o fabulista, foi flanar num estaleiro. Lá, provocado pelas zombarias dos operários, disse-lhes:

– Quando o mundo era apenas água e caos, Zeus quis fazer um dia um novo elemento: a terra. Foi por isso que ele a fez engolir o mar três vezes. Da primeira vez, a terra deixou aparecer as montanhas; da segunda, as planícies; quando ela for beber pela terceira vez, a arte de vocês não servirá para nada.

Quem ri de quem lhe é superior terminará perdendo o riso.

A CAMELA

Uma camela atravessava um rio de águas turbulentas. Tendo defecado, as fezes levadas pelo redemoinho foram parar no seu focinho. Ela então exclamou:

– Como é que o que estava atrás veio parar na minha frente?

Em certos ocasiões, os sensatos são ultrapassados pelos piores imbecis.

O GATO E O GALO

Um gato queria ter uma boa razão para devorar um galo que caiu em suas garras.

– À noite – acusou-o –, teus gritos não deixam os homens dormir.

O galo se defendeu:

– É um serviço que lhes presto, chamando-os a seus deveres.

O gato não se abalou e acusou o galo de ultrajar a natureza por não respeitar nem a mãe nem as irmãs.

O galo respondeu:

– Isso reverte mais uma vez para o bem de meus patrões: eles têm assim ovos em abundância.

Os pretextos especiais de nada servem quando o celerado, desavergonhadamente, está decidido a fazer o mal.

O PESCADOR QUE TOCAVA FLAUTA

Um pescador, que era também flautista, pegou a flauta e a rede e foi pescar. De pé num promontório, pôs-se a tocar. Os peixes, pensava ele, atraídos pela beleza da música, pulariam sozinhos fora d’água. Tocou um bom tempo sem parar. Em vão. Deixando de lado a flauta, pegou a rede e a lançou na água. Pegou um monte de peixes. Tirava-os da rede e os jogava na areia . Como os peixes se retorciam, ele disse:

– Seus malditos, quanto vocês não dançaram enquanto eu estava tocando!

Assim agem os ardilosos.

A RAPOSA E A GRALHA

Uma gralha faminta estava no alto de uma figueira; estava achando os frutos muito verdes e esperava que amadurecessem. Uma raposa, ao vê-la esperar pelo tempo, descobriu logo a razão e lhe disse: “Minha amiga, não adianta alimentar esperanças. Elas só nos enchem de ilusões”.

A RAPOSA E O CROCODILO

Uma raposa e um crocodilo discutiam para ver qual dos dois era o mais nobre. O crocodilo se gabava dos feitos de seus ancestrais e concluiu dizendo que seus pais presidiam os jogos ginásticos. A raposa replicou: “Nem precisavas dizer, só de olhar tua pele já dá para ver tua longa prática esportiva”.

Contra os mentirosos, os fatos falam por si sós.

OS VIAJANTES

Alguns homens iam por uma estrada para fechar um negócio. Eis que, no caminho, encontram um corvo caolho. Como não queriam passar pelo pássaro, um deles, pensando que estavam diante de um mau presságio, achou melhor não ir em frente. Um outro replicou:

– Como esse pássaro pode prever nosso futuro se não soube evitar a perda de seu próprio olho?

Não dá para ouvir os conselhos de quem não sabe cuidar de si mesmo.

O LEÃO E O JAVALI

Era verão e os animais estavam sedentos. Um leão e um javali foram matar a sede numa pequena fonte. Estavam brigando para ver quem ia beber primeiro. A briga terminou numa luta sangrenta. De repente, tendo-se separado momentaneamente para recuperar o ar, viram os abutres que só estavam esperando que um deles morresse para devorá-lo. Pararam então de brigar:

– Melhor ficarmos amigos que servir de pasto aos abutres e aos corvos.

Querelas e disputas nos expõem ao perigo. Melhor acabar com elas.

O LAVRADOR E O LOBO

Um lavrador desatrelou seus animais e os levou ao bebedouro. Um lobo que, faminto, procurava o que comer, encontrou a charrua. Começou a lamber a canga. Depois, ao passar o pescoço por baixo, ficou preso, e, sem se dar conta, começou a puxar a charrua pelo campo.

Ao voltar do bebedouro, o lavrador o viu e disse:

– Maldito animal, não vá querer dizer que deixou de pilhar e de fazer o mal para lavrar a terra!

Não adianta os maus quererem passar por virtuosos, a forma como o fazem os desacredita aos olhos dos outros.

– Esopo. Fábulas. [tradução Antônio Carlos Vianna; revisão Delza Menin e Ruiz R. Faillace]. Porto Alegre: Editora L&PM Pocket, 2011.

Aesopvs (Aesop) – by Francisco Goya, 1778

CHEGOU DEZEMBRO!


É tempo de se despedir de tudo que não serve mais e dar espaço ao novo. É época de se abrir para novas conquistas, sonhos, e assim ganhar mais felicidade.
O que falar do ano de 2020, agora que chegou ao fim? O que aprendemos perante todas as dificuldades e desafios que tivemos que superar e quais os aprendizados que traremos para 2021?

Uma coisa é certa: tivemos de desacelerar, em todos os sentidos. Aprendemos tantas coisas com a pandemia do novo coronavírus, mas talvez a principal dela foi descobrir que sozinhos não somos nada, nem ninguém. Ao desacelerar, tivemos tempo para prestar mais atenção no outro e em nós mesmos. Aprender a identificar e a lidar com nossas próprias emoções de uma forma nunca vista antes no mundo pós-moderno. A ter um olhar mais generoso em relação a si próprio e ao próximo.


Parecia ser um ano sem fim, tivemos de nos ausentar e, dentro de nossas casas, tivemos de nos reinventar, assumir de vez nossa versão beta, e nos transformar a cada dia em termos profissionais, pessoais, comportamentais e de relacionamento.


Quando imaginaríamos que ao ligar a televisão seríamos impactados com campanhas ostensivas pedindo às pessoas para evitarem o contato físico? Isso parecia um pedido um tanto impossível, ainda mais para o povo brasileiro e toda a sua latinidade e aptidão para relações calorosas. Tivemos de encontrar novas formas de mostrar nossos sentimentos, sem o toque, que é tão habitual em nossas rotinas.

Passamos a ouvir com mais frequência e de um número maior de pessoas que dinheiro não é tudo. E tivemos de reduzir e repensar o nosso ritmo e modo de consumo. Com as pessoas em suas casas, os índices de poluição ao redor do mundo diminuíram. O planeta Terra agradeceu. Especialistas apontam essa mudança como temporária e, claro, relacionada ao confinamento, mas será que isso não pode nos ajudar e encontrar soluções para as questões climáticas, sem termos de ser obrigados a ficar enclausurados? Será que essa crise não veio também para nos alertar e mostrar que somos capazes, empresas, governos e cidadãos, de implementar um novo ritmo de vida que seja positivo e gere melhor impacto?

Marcas foram à TV não apenas para falar de seus produtos e serviços, mas para trazer mensagens de solidariedade, de ânimo e de positividade. Nunca vimos antes as empresas focarem tanto no coletivo e no humano.

Aliás, o “fazer juntos” se tornou um mantra. Sem cooperação coletiva não teríamos saído dessa crise. Foi o momento de nos conectarmos com pessoas de agora e com aquelas com quem não tínhamos contato há algum tempo. De dentro dos nossos lares revisitamos histórias por meio de fotos, livros, ligações e vídeos conferências com amigos e parentes. Sim, é clichê dizer que a tecnologia une pessoas, mas essa afirmação nunca foi tão real quanto em 2020.

E no trabalho? Lideranças tiveram de se revisitar e encontrar novas formas de se comunicar com suas equipes, como mantê-las ativas e motivadas. As empresas que eram resistentes ao método home office, por exemplo, tiveram de ceder e acabaram descobrindo que essa pode ser uma boa forma de trabalho. Descobrimos que aquelas reuniões presenciais, com horas de duração, talvez pudessem ter sido feitas com muito mais efetividade por vídeo conferência.

Não são para todas as carreiras que esse esquema funciona, mas para muitas, sim. Então, porque não trazer esse formato para 2021 e aperfeiçoá-lo? Não por obrigação, por necessidade de força maior, mas como forma de trabalhar aquilo que falamos lá em cima, no começo desse texto: desacelerar. Quantos impactos positivos isso traria para as pessoas e para o planeta?

Outro ponto que devemos manter para este nosso 2021 é saber filtrar as informações que recebemos de diversas fontes. As fake news chegaram para ficar e este é um movimento que só tende a crescer, isso é fato. Mas saber pesquisar a fonte da notícia se tornou questão essencial para muitos que não tinham o hábito de se aprofundar nos assuntos. Tivemos de nos aprofundar por uma questão de preservação.

Mas nem só de fake news vive internet, que trouxe muitas notícias ruins, mas também serviu como ponto de equilíbrio para muitos. E as redes sociais tiveram especial participação nisso. Perdi a conta de quantas lives passaram pelas minhas redes, trazendo os mais diversos assuntos. Desde temas sobre como lidar com o psicológico em meio à pandemia e ao confinamento até formar de manter o negócio vivo e ativo, mesmo com as restrições implementadas. A maravilha da comunicação.

Comunicação essa que serviu para nos mostrar que, sem diálogo, não chegamos a lugar algum. Não importa se você é governo, empresa ou cidadão comum. Sem tolerância e respeito ao próximo, o caminho é nebuloso para todos.

Agora que o ano de 2021 está invadindo nossas casas, temos de ter em mente que não podemos nos deixar levar pela angústia, pela ansiedade, pelo medo e pelas incertezas. A palavra de ordem, agora, é SERENIDADE.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

O que é e para que serve o DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA?

O Dia da Consciência Negra é comemorado no dia 20 de novembro. A data reúne diferentes ações de combate ao racismo e reacende o debate sobre a chegada dos negros ao país, a escravidão no Brasil e o racismo estrutural da sociedade. 


Sendo uma data tão significativa, é importante saber o que é e para que serve o Dia da Consciência Negra. Pensando nisso,  preparamos um resumo sobre a história e importância do 20 de novembro. 

Como surgiu o Dia da Consciência Negra? 


O Dia da Consciência Negra foi instituído durante o governo Lula, através da Lei nº 10.639. O documento inclui o tema “História e Cultura Afro-Brasileira” como componente curricular obrigatório das escolas brasileiras. Além disso, instituiu o 20 de novembro como o ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. Apesar da legislação reconhecer a data em 2003, a sua existência é bem anterior. 

Em uma pesquisa sobre a consciência negra, é importante saber que em 1978 ativistas do Movimento Negro Unificado (MNU) se reuniram em Salvador e acordaram que o dia da morte de Zumbi, 20 de novembro, seria celebrado como o Dia da Consciência Negra. A ideia era usar a data para relembrar a luta dos negros escravizados que se rebelaram contra o sistema escravista da época.

Já em 2011, no governo Dilma Rousseff, por meio da Lei nº 12.519, a data foi oficializada como “Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra”. A escolha da data é uma referência a morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores líderes quilombolas do país.

Quem foi Zumbi dos Palmares?


Nascido em 1665, Zumbi dos Palmares comandou o Quilombo dos Palmares por quase 15 anos e liderou a resistência de milhares negros contra a escravidão. Ele chegou em Palmares com 15 anos de idade e assumiu o comando do quilombo após a morte do antigo líder, Ganga Zumba. Durante a sua liderança, Palmares enfrentou diversas batalhas para defender o território e a liberdade dos negros no quilombo. 

Em 1694 o Quilombo dos Palmares foi destruído pelo governo durante uma expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Apesar de ter resistido, Zumbi foi capturado e morto um ano depois, em 20 de novembro de 1695. Ele foi assassinado pelo capitão Furtado de Mendonça, em cumprimento das ordens de Domingos Jorge. Zumbi foi decapitado e a sua cabeça foi exposta em uma praça de Recife.

O que é o Dia da Consciência Negra?



Importância do Dia da Consciência Negra


Além de ser uma homenagem e reconhecimento da luta de Zumbi dos Palmares e seus companheiros no quilombo, o Dia da Consciência Negra é fundamental para evidenciar as desigualdades e violências contra a população negra ainda existentes em nossa sociedade. Para além de um momento festivo, a data proporciona a reflexão sobre o racismo e as suas implicações na atualidade.

O 20 de novembro também é um elemento marcante para a educação escolar. É importante que as escolas trabalhem o Dia da Consciência Negra na educação infantil com atividades pedagógicas desenvolvidas ao longo do ano letivo.

Dia da Consciência Negra é feriado? 


Dia da Consciência Negra é feriado em alguns estados e cidades brasileiras. A data é celebrada em todo o país, mas é feriado nos estados de Mato Grosso, Rio de Janeiro, Alagoas, Amazonas, Amapá e Rio Grande do Sul. O dia 20 de novembro também é feriado em mais de mil cidades brasileiras.

15 escritoras e escritores negros que deveriam ser estudados nas escolas

“O modelo cívico brasileiro é herdado da escravidão, tanto o modelo cívico cultural como o modelo cívico político. A escravidão marcou o território, marcou os espíritos e marca ainda hoje as relações sociais deste país. Mas é também um modelo cívico subordinado à economia, uma das desgraças deste país”
– Milton Santos, em “As cidadanias mutiladas”. In______. O preconceito (vários autores). São Paulo. IMESP, 1996-1997, p. 135.

Uma pequena relação de autores negros conhecidos e ou pouco conhecidos do nosso imenso Brasil. É evidente que tem muito mais, são inúmeros que igualmente merecem nossa atenção e espaço. Os autores desta lista, são: Abdias Nascimento, Adão Ventura, Auta de Souza, Carlos Machado, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Cruz e Sousa, Elisa Lucinda, Machado de Assis, Maria Firmina dos Reis, Milton Santos, Miriam Alves, Nina Rizzi, Solano Trindade e Paulo Colina

Abdias Nascimento – escritor

ABDIAS DO NASCIMENTO
Abdias Nascimento (artista plástico, escritor, teatrólogo, político e poeta) – Franca – SP, 14 de março de 1914 – Rio de Janeiro – RJ, 23 de maio de 2011 – nasceu em uma família negra e pobre da cidade de Franca, interior do Estado de São Paulo. A sua mãe se chamava Georgina, conhecida como dona Josina, e o pai se chamava José. Ambos eram católicos e tinham sete filhos. A avó materna de Abdias, dona Ismênia, havia sido escrava, e apesar do neto ter nascido no contexto pós-abolição, o racismo e as relações sociais que marcaram o Brasil na época dela ainda vigoravam com bastante força.
Da infância vivida em Franca, Abdias absorveu os saberes dos afrodescendentes mais velhos, que eram repassados através da oralidade, em rodas de conversa. Aos nove anos, o garoto já trabalhava entregando leite e carne nas casas dos moradores mais ricos da cidade e assim ajudava a família financeiramente. Com o pouco que conseguia guardar para si, comprou orgulhoso o seu primeiro par de sapatos.

Adão Ventura – poeta

ADÃO VENTURA
Adão Ventura Ferreira Reis, poeta e prosador conhecido por Adão Ventura, nasceu em 5 de julho de 1946 em Santo Antônio do Itambé, então distrito do Serro (MG), em 1946. Filho de Sebastiana de José Teodoro e de José Ferreira dos Reis, e neto de escravos, Adão Ventura viveu em péssimas condições, tendo mudado para Belo Horizonte, em busca de vida melhor, e conseguido se graduar em direito, pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Auta de Souza – poeta

AUTA DE SOUZA
Auta Henriqueta de Souza nasceu em Macaíba, em 12 de setembro de 1876, filha de Elói Castriciano de Souza e Henriqueta Leopoldina Rodrigues e irmã dos políticos norte-rio-grandenses Elói de Sousa e Henrique Castriciano. Ficou órfã aos três anos, com a morte de sua mãe por tuberculose, e no ano seguinte perdeu também o pai, pela mesma doença. Sua mãe morreu aos 27 anos e seu pai aos 38 anos. Durante a infância, foi criada por sua avó materna, Silvina Maria da Conceição de Paula Rodrigues, conhecida como Dindinha, em uma chácara no Recife, onde foi alfabetizada por professores particulares. Sua avó, embora analfabeta, conseguiu proporcionar boa educação aos netos.

Carlos Machado – poeta

CARLOS MACHADO
Carlos Machado, nasceu em 1951, em Muritiba (BA). Jornalista, reside em São Paulo desde 1980. Cursou engenharia mecânica na UFBA e, em São Paulo, fez jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Edita na internet o boletim quinzenal poesia.net. Tem poemas publicados em revistas e jornais literários. Como jornalista especializado em informática, é também autor de livros técnicos publicados pela Editora Campus (RJ).

Carolina Maria de Jesus – escritora

CAROLINA MARIA DE JESUS
Carolina Maria de Jesus, moradora da antiga favela do Canindé, em São Paulo, é conhecida por relatos em seu diário, que registravam o cotidiano miserável de uma mulher negra, pobre, mãe, escritora e favelada. Foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, encarregado certa vez de escrever uma matéria sobre uma favela que vinha se expandindo próxima à beira do Rio Tietê, no bairro do Canindé; em meio a todo rebuliço da favela, Dantas conheceu Carolina e percebeu que ela tinha muito a dizer. Seu principal livro é Quarto de despejo (1960), no qual há relatos de seu diário. Também publicou Casa de Alvenaria (1961); Pedaços de fome (1963); Provérbios (1963); postumamente foram publicados Diário de Bitita (1982); Meu estranho diário (1996); entre outros.

Conceição Evaristo – escritora

CONCEIÇÃO EVARISTO
A escritora brasileira Conceição Evaristo foi criada em uma favela da zona sul de Belo Horizonte. Em sua vida teve de conciliar os estudos com a vida de empregada doméstica, formando-se somente aos 25 anos. No Rio de Janeiro, passou em um concurso público para o magistério e estudou Letras (UFRJ). É mestra em Literatura Brasileira (PUC-RJ) e doutora em Literatura Comparada (UFF). Atualmente, leciona na UFMG como professora visitante. Estreou na literatura em 1990, com obras publicadas na antologia Cadernos Negros. Suas obras abordam tanto a questão da discriminação racial quanto as questões de gênero e de classe. Publicou o romance Ponciá Vicêncio (2003), traduzido para o inglês e publicado nos Estados Unidos em 2007; Poemas da recordação e outros movimentos (2008) e Insubmissas lágrimas de mulheres (2011).

Cruz e Sousa – poeta

CRUZ E SOUSA
João da Cruz e Sousa, também conhecido como Dante Negro ou Cisne Negro, foi o único poeta de pura raça negra, não tinha nada de mestiço, segundo Antonio Candido (grande estudioso da literatura brasileira e sociólogo). Era filho de escravos alforriados, mas recebeu a tutela e uma educação refinada de seu ex-senhor, o marechal Guilherme Xavier de Sousa – de quem adotou o nome de família, Sousa. Aprendeu línguas como francês, latim e grego. Além disso, aprendeu Matemática e Ciências Naturais. Seus poemas simbolistas são marcados pela musicalidade, pelo individualismo, pelo espiritualismo e pela obsessão pela cor branca. Publicou os livros Broquéis (1893); Missal (1893) Tropos e Fantasias (1885), com Virgílio Várzea; postumamente foram publicados Últimos Sonetos (1905); Evocações (1898); Faróis (1900); Outras evocações (1961); O livro Derradeiro (1961) e Dispersos (1961).

Elisa Lucinda – foto: Acervo Lucinda

ELISA LUCINDA
Elisa Lucinda dos Campos Gomes é uma poeta brasileira, jornalista, cantora e atriz brasileira. É muito conhecida por suas atuações em novelas da Rede Globo, pelo prêmio que recebeu pelo filme A Última Estação (2012), de Marcio Curi, e pelos seus inúmeros espetáculos e recitais em empresas, teatros e escolas de todo o Brasil. Publicou inúmeros livros, dentre eles A Lua que menstrua (1992); O Semelhante (1995); Eu te amo e suas estreias (1999); A Fúria da Beleza (2006); A Poesia do encontro (2008), com Rubem Alves; Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada (2014).
“A nossa única revolução é educacional. Essa é que vai mudar tudo”
– Elisa Lucinda

Machado de Assis – escritor

MACHADO DE ASSIS
Joaquim Maria Machado de Assis quase dispensa apresentações, pois é considerado o maior nome da literatura brasileira. Além de seus tão conhecidos romances, publicou contos, poemas, peças de teatro e foi pioneiro como cronista. Publicou em inúmeros jornais e foi o fundador da Academia Brasileira de Letras, juntamente com escritor José Veríssimo. Machado de Assis foi eleito presidente da instituição, ocupando este cargo até sua morte. Escreveu mais de 50 obras, mas está para sempre imortalizado por causa das obras Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro, (1899) e O Alienista (1882).

Maria Firmina dos Reis – escritora

MARIA FIRMINA DOS REIS
A escritora Maria Firmina dos Reis, nascida em São Luís – MA, rompeu barreiras no país e na literatura brasileira. Aos 22 anos, no Maranhão, foi aprovada em um concurso público para a Cadeira de Instrução Primária e, por isso, foi a primeira professora concursada do estado. Seu romance Úrsula (1859) foi o primeiro romance abolicionista brasileiro e, além disso, o primeiro escrito por uma mulher negra no Brasil. No auge da campanha abolicionista, publicou A Escrava (1887), o que reforçou a sua postura antiescravista. Publicou ainda o romance Gupeva(1861); poemas em Parnaso maranhense (1861) e Cantos à beira-mar (1871). Além disso, publicou poemas em alguns jornais e fez algumas composições musicais. Quando se aposentou, em 1880, fundou uma escola mista e gratuita.

Milton Santos – geografo e escritor

MILTON SANTOS
Milton Santos foi um geógrafo brasileiro, considerado por muitos como o maior pensador da história da Geografia no Brasil e um dos maiores do mundo. Destacou-se por escrever e abordar sobre inúmeros temas, como a epistemologia da Geografia, a globalização, o espaço urbano, entre outros…

Miriam Alves – poeta

MIRIAM ALVES
Miriam Alves poeta, dramaturga e prosadora, nascida em São Paulo, em 1952. Publicou os livros de poemas ‘Momentos de busca’ (1983), ‘Estrelas nos dedos’ (1985), a peça ‘Terramara’ (1988), em coautoria com Arnaldo Xavier e Cuti, o livro de ensaios ‘Brasilafro autorrevelado’ (2010), a coletânea de contos ‘Mulher Mat(r)iz’ (2011) e o romance ‘Bará na trilha do vento’ (2015). Integrou o movimento Quilombhoje Literatura de 1980 a 1989, e foi escritora visitante na Universidade do Novo México, na Escola de Português de Middelbury College em 2010, nos Estados Unidos, e participou de debates sobre a literatura afrobrasileira e feminina nas Universidades do Texas, na Universidade do Tennessee e na Universidade de Illinois.

Nina Rizzi – poeta

NINA RIZZI
Nina Rizzi (Campinas SP, 1983), historiadora, tradutora e poeta, vive atualmente em Fortaleza CE (Brasil). Tem poemas, textos e traduções publicados em diversas revistas, jornais, suplementos e antologias. Autora de tambores pra n’zinga (poesia, Orpheu/ Ed. Multifoco, 2012), caderno-goiabada (prosa ensaística, Edições Ellenismos, 2013), Susana Thénon: Habitante do Nada (tradução, Edições Ellenismos, 2013), A Duração do Deserto (poesia, Ed. Patuá, 2014)

Solano Trindade – foto: Acervo família Trindade

SOLANO TRINDADE
Francisco Solano Trindade (poeta, ativista político e artista múltiplo), nasceu em Recife, PE, em 24 de julho de 1908. Filho da quituteira Emerenciana e do sapateiro Manoel Abílio, viveu em um lar católico, apesar de seu pai incorporar entidades às escondidas.

“A minha poesia continuará com o estilo do nosso populário, buscando no negro o ritmo, no povo em geral as reivindicações sociais e políticas e nas mulheres, em particular, o amor. Deixem-me amar a tudo e a todos” – Solano Trindade

Paulo Colina – poeta

PAULO COLINA
Paulo Colina poeta, prosador e ensaísta, nascido Paulo Eduardo de Oliveira em Colina, estado de São Paulo, a 9 de março de 1950. Membro da geração fundadora dos Cadernos Negros e do coletivo Quilombhoje, estreou com o volume de contos Fogo cruzado (1980), ao qual se seguiram as coletâneas de poemas Plano de voo (1984), A noite não pede licença (1987) e Todo o fogo da luta (1989).

Salgado Maranhão - foto Ricardo Prado

SALGADO MARANHÃO
Salgado Maranhão (José Salgado Santos) – poeta, compositor e jornalista. Nasceu no povoado de Cana Brava das Moças, na cidade de Caxias – Maranhão, em 13 de novembro de 1953, filho de Moacyr dos Santos Costa e Raimunda Salgado dos Santos. Ainda adolescente, mudou-se com os irmãos e a mãe para Teresina. Escreveu artigos para um jornal local e conheceu Torquato Neto, que o incentivou a ir para o Rio de Janeiro, o que fez no ano de 1972. Estudou Comunicação na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Terapeuta corporal, foi professor de tai chi chuan e mestre em shiatsu. Inicialmente, teve seu nome vinculado em publicações como “Ebulição da escrivatura -Treze poetas impossíveis” (Ed. Civilização Brasileira, 1978, RJ), coletânea que reuniu diversos poetas, como Sergio Natureza (assinando Sérgio Varela), Antônio Carlos Miguel (sob o pseudônimo de Antônio Caos), Éle Semog, Mário Atayde, Tetê Catalão, entre outros.

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

“Lágrima de preta” de António Gedeão
Imagem: “My Cup Runneth Over” de Annie Lee (1935-2014)